Detidas quase 300 pessoas em manifestações em memória das vítimas de Pinochet no Chile

Detidas quase 300 pessoas em manifestações em memória das vítimas de Pinochet no Chile

As autoridades chilenas detiveram cerca de 300 pessoas durante manifestações em memória das vítimas da ditadura de Augusto Pinochet, anunciou no sábado o Governo, que não tinha organizado comemorações oficiais.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Pablo Sanhueza - Reuters

As manifestações, organizadas por ocasião do 53.º aniversário do golpe de Estado do general Pinochet, em 11 de setembro de 1973, contra o presidente socialista Salvador Allende, resultaram, na sexta-feira e no sábado, na detenção de 284 pessoas, incluindo 31 menores, anunciou o ministro da Segurança Pública, Martín Arrau, na rede social X.

Milhares de pessoas saíram às ruas para condenar a ditadura militar que fez mais de 3.200 vítimas, entre mortos e desaparecidos.

Pela primeira vez desde o regresso da democracia em 1990, o aniversário não foi assinalado por uma cerimónia oficial.

"Da mesma forma que não posso apagar a história, também não posso pedir aos nossos compatriotas que sejam condenados pela nossa história a não poderem olhar para o futuro da nossa nação", declarou o Presidente de direita, José Antonio Kast, num discurso proferido na sexta-feira na região de Los Ríos (sul).

Durante as manifestações, os manifestantes atiraram pedras e paus contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogéneo e canhões de água anti-motim, segundo as autoridades.

Entre as 284 pessoas detidas (mais 80% do que há um ano) contam-se 16 estrangeiros e 31 menores, precisou Arrau.

O Ministério da Segurança Pública registou também 198 "atos de violência", precisando, no entanto, que ninguém ficou ferido.

"Vamos continuar a manter-nos firmes, a enfrentar a violência e a proteger a tranquilidade das famílias chilenas", afirmou o ministro.

As principais manifestações tiveram lugar no Cemitério Geral de Santiago, onde se encontra o mausoléu da família Allende e onde estavam presentes a filha e ex-senadora Isabel Allende, bem como o ex-presidente de esquerda Gabriel Boric.

Também se realizaram manifestações no Palácio de La Moneda, onde Salvador Allende resistiu ao golpe de Estado até à sua morte por suicídio, bem como no Estádio Nacional, local utilizado como centro de detenção e tortura durante a ditadura.

 

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